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Com recuperação econômica, empresas brasileiras voltam a investir no exterior

JBS Friboi: 77,4% das vendas e 39,8% dos ativos no exterior Com a recuperação da economia mundial no ano passado, as empresas brasileiras retomaram seu processo de internacionalização, após terem desinvestido US$ 10 bilhões no exterior em 2009. As companhias nacionais investiram em 2010 US$ 11 bilhões em suas operaçãos fora do país. A receita no exterior das 20 empresas mais internacionalizadas do Brasil cresceu 27,3% em relação a 2009, alcançando R$ 130,9 bilhões, enquanto o valor de seus ativos fora do país aumentou em 32,7%, chegando a R$ 209,91 bilhões. O número de funcionários no exterior passou de 198,6 mil para 216,6 mil, uma alta de 9,1%, segundo o estudo Transnacionais Brasileiras 2011, divulgado nesta quarta-feira (29/06), pela Fundação Dom Cabral.

Encabeçando o levantamento das empresas brasileiras mais internacionalizadas está a JBS Friboi, com 77,4% de suas vendas, 39,8% de seus ativos e 61,7% de seus funcionários no exterior. Em segundo lugar, aparece a Stefanini IT Solutions, seguida por Gerdau, Ibope e Marfrig. Completando o top 10, estão Metalfrio, Odebrecht, Suzano, Sabó e Vale. Para fazer o ranking, a Fundação Dom Cabral criou um índice de transnacionalidade baseado na relação entre receita, valor de ativos e número de trabalhadores das empresas no Brasil e no exterior. O levantamento foi feito com os dados fornecidos pelas companhias que, convidadas, aceitaram participar da pesquisa.

Após a recuperação de 2010, a tendência é que o aumento dos investimentos no exterior prossiga em 2011. "As companhias devem continuar ampliando suas operações fora do país. Das 49 empresas do ranking, apenas seis disseram que não pretendem aumentar sua presença lá fora", afirma Sherban Leonardo Cretoiu, coordenador do estudo.

As transnacionais brasileiras concentram 30,9% de suas operações fora do país na América do Sul. A Europa aparece como o segundo destino preferido para os investimentos brasileiros, com 21,1%, logo à frente da América do Norte, com destaque para as operações no México, com 12,6%. Na sequência, está a Ásia (16,8%) e a África (9,6%).

 

A Vale é a transacional brasileira com presença no maior número de países fora do Brasil. São 37 nações, localizadas principalmente na Ásia e na África.

Cenário internacional

Apesar da valorização do real ter prejudicado o desempenho de algumas companhias brasileiras no exterior no ano passado, por outro lado, a força da moeda nacional tem ajudado a acelerar o processo de internacionalização. "Com o câmbio mais valorizado, várias companhias estão optando por iniciar sua produção fora do Brasil ou por realizar aquisições, já que os ativos estão relativamente mais baratos", diz Cretoiu.

O ano de 2010 já foi marcado por diversas aquisições de grande e médio porte por parte de empresas brasileiras e pela construção de unidades próprias no exterior. Onze companhias entraram em 28 novos países no ano passado, enquanto apenas quatro fecharam ou interromperam suas atividades em alguma nação.

A aquisição de maior destaque no exterior em 2010 foi a compra da mineradora britânica BSG pela Vale, no valor de US$ 2,5 bilhões. Em segundo lugar, fica a operação fechada pela Camargo Corrêa para a aquisição da portuguesa Cimpor, por US$ 1,89 bilhão. Já a Gerdau, com o terceiro maior negócio, comprou a Ameristeel Corp, por US$ 1,6 bilhão.

A crise econômica iniciada em 2008 também teve seu lado bom para as transnacionais brasileiras, que conseguiram aumentar sua eficiência no exterior. "Pressionadas a ampliar sua produtividade e reduzir seus custos, as empresas conseguiram aumentar sua margem de lucro", afirma o coordenador do estudo. Historicamente, a margem de lucro das companhias brasileiras no mercado doméstico é superior à das operações do exterior. Porém, em 2010, elas ficaram muito próximas, sendo de 15,8% no Brasil e 15,6% fora do país.

As mais internacionalizadas
Colocação Empresa Receita vinda do exterior Funcionários fora do país
1 JBS-Friboi 77,4% 61,7%
2 Stefanini IT Solutions 36,1% 37%
3 Gerdau 35,3% 45,3%
4 Ibope 26% 52,2%
5 Marfrig 39,2% 37,2%
6 Metalfrio 19,7% 49,4%
7 Odebrecht 36,7% 35,6%
8 Suzano 77% 4,3%
9 Sabó 36,7% 36%
10 Vale 23,3% 20,9%
11 Magnesita 44,9% 18,1%
12 Tigre 19,7% 22%
13 Lupatech 25,5% 27,9%
14 Artecola 20,8% 20,6%
15 Votorantim 26,9% 13,1%
16 Weg 26,6% 15,6%
17 Brasil Foods 32,6% 0,5%
18 Embraer 14,4% 5,9%
19 Ci&T Software 24,5% 7,2%
20 Marcopolo 14,5% 20,9%
Fonte: Fundação Dom Cabral

Em sua 6ª edição em 2011, o estudo da Fundação Dom Cabral sobre as transnacionais brasileiras realizou pela primeira vez o levantamento das franquias mais internacionalizadas. Na liderança, desponta a fabricante de calçados Via Uno. Das 276 unidades da companhia, 116 estão no exterior, distribuídas em 20 países. Na sequência, aparecem LinkWell, Showcolate, Localiza, Fábrica di Chocolate, Spoleto, Escolas Fisk, Vivenda do Camarão, Koni Store e Arezzo.

fonte: Época Negócios